terça-feira, 16 de junho de 2015

Paciente de 83 anos aguarda tratamento contra o câncer há seis dias sentado na emergência do Hospital Cardoso Fontes

Há seis dias, um idoso de 83 anos, com o lado esquerdo do corpo paralisado, em função de um derrame cerebral sofrido no ano passado, está internado numa cadeira na emergência do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Segundo a família, João Cândido da Silva recebeu o diagnóstico de câncer no estômago e aguarda pelo tratamento. No último sábado, outras quatro pessoas também eram atendidas em cadeiras na sala em que o idoso está internado.

— Levamos meu pai ao Cardoso Fontes na última quarta-feira. A médica que o atendeu pediu a realização de exames mais detalhados e informou que meu pai deveria ficar internado. Como não havia leito disponível, deixaram meu pai em uma cadeira e, desde então, ele se encontra na mesma situação — conta o filho do paciente, o segurança Jackson dos Santos da Silva, de 52 anos, que enviou para o WhatsApp do EXTRA (99809-9952 e 99644-1263) um vídeo mostrando as condições em que o pai está internado.

Além da falta de conforto, o risco de trombose e escara preocupa a família do idoso.

— Meu pai está com os pés muito inchados, por causa da posição em que fica na cadeira, com as pernas para baixo. Hoje (segunda-feira), nos disseram que não há previsão para ele ser transferido para um leito — revolta-se Jackson, que esteve com o pai nesta segunda-feira, durante o horário de visita, que dura 30 minutos. — Ele não pode ficar com acompanhante.

Procurada pelo EXTRA, nesta segunda-feira à tarde, a assessoria de imprensa do Núcleo Estadual no Rio de Janeiro do Ministério da Saúde, responsável por hospitais federais no estado, informou que estava apurando o caso e daria uma posição nesta terça-feira.

Em maio, o EXTRA publicou documentos internos do Cardoso Fontes que relatavam o desabastecimento de itens como esparadrapo, vários tipos de agulha, seringas e sondas, além de luvas e fraldas. Na época, a direção do hospital afirmou que estava realizando contratos emergenciais para normalizar seus estoques.

Extra