Investidor publica uma análise de 300 páginas para provar que papéis da Herbalife deveriam valer zero no mercado
O ponto mais crítico começou em 18
de dezembro, quando o investidor Bill Ackman, da gestora Pershing
Square Capital Management, fez uma apresentação
de 3 horas com 334 slides para investidores tentando provar que o
negócio da Herbalife deve ser classificado como “esquema de pirâmide” e
que por essa razão a empresa estaria fadada a falência – Ackman estipulou, inclusive, o preço-alvo para os papéis em zero.
Ackman deixou claro que tem uma
posição vendida nas ações e que lucraria com a queda dos papéis, mas que
qualquer valor que ele ganhasse com isso seria destinado para caridade,
sendo que 25 milhões de dólares já estavam destinados para The Sohn
Conference, entidade conhecida por levantar dinheiro entre os grandes
investidores para pesquisas sobre câncer.
A posição vendida normalmente consiste
em tomar uma ação emprestada e vendê-la no mercado, na expectativa de
recomprá-la mais tarde a um preço inferior ao da venda para devolvê-la
no vencimento do contrato e embolsar a diferença.
Como muita gente de fato acreditou em
Ackman, a Herbalife enviou um comunicado ao mercado para tratar do
assunto. De acordo com o texto, as afirmações do investidor são um
“malicioso ataque ao nosso modelo de negócios e está baseado grandemente
em informações antigas, distorcidas e equivocadas”.
Pirâmide
Em sua cruzada contra a Herbalife,
Ackman elenca uma série de fatores que causam estranhamento no modelo de
negócios da empresa, entre eles, o fato dos produtos serem
“commodities” (há diversos outros similares à venda nas lojas, de
empresas conhecidas e por preços mais baixos). A conta fica difícil de
fechar ao olhar os números de faturamento: em 30 anos, a empresa saltou
de uma receita líquida de 23 mil dólares para 5,4 bilhões de dólares.
Ele afirma que a empresa ganha com o
recrutamento de seus distribuidores e não com a venda dos produtos de
fato, o que seria classificado como “esquema pirâmide”.
egundo a Federal Trade Commision (FTC), órgão do governo americano responsável
pela proteção do consumidor e pela prevenção de práticas de negócios
anti-competitivas, uma empresa é considerada como “esquema pirâmide”
quando os ganhos financeiros vêm primeiro do recrutamento de outros
participantes do que da venda dos produtos e serviços aos consumidores
finais.
“Esquemas pirâmide são tidos como
fraudulentos por definição porque eventualmente eles colapsam. Nesse
tipo de organização, o dinheiro que quem está no topo da pirâmide ganha
vem das perdas das pessoas que estão na base”, diz um trecho
apresentando pelo investidor atribuído à FTC.
A maior crítica de Ackman é em
relação às pessoas que entram no negócio encantadas pela promessa de ser
seu próprio chefe e enriquecer facilmente. Ele estima que desde sua
fundação em 1980, 2 milhões de pessoas foram enganadas ao tentar participar do negócio e perderam cerca de 3,8 bilhões de dólares.
Milagre de Natal
Após a apresentação de Bill Ackman, as
ações caíram 30% em 2 pregões, mas no dia 26, após o feriado de Natal,
as ações “milagrosamente” voltaram a subir. Na reabertura do mercado no
dia 26, os papéis tiveram alta de 15%. Uma das possíveis explicações
seria que os investidores estariam comprando ações para cobrir as
posições vendidas, já que precisam entregar os papéis no vencimento dos
contratos de aluguel.
Fonte: http://exame.abril.com.br